Ninão ou Bengala: quem foi o segundo maior artilheiro da era pré-Mineirão?
Quem foi o segundo maior artilheiro da era pré-Mineirão?

O Núcleo de Pesquisa do Cruzeiro investiga a possibilidade de Ninão e Bengala terem marcado mais gols do que os números atualmente contabilizados indicam. A ausência de registros dos placares e dos autores de gols de algumas partidas disputadas entre 1923 e 1930 pode alterar a posição dos dois atacantes no ranking dos maiores artilheiros da história do Cruzeiro.
Essa possibilidade ganhou ainda mais força durante a elaboração do Dossiê que busca o reconhecimento do título de 1926. A pesquisa identificou partidas com placares bastante elásticos durante aquela campanha, o que pode ampliar significativamente a contabilidade de gols de Giovanni Fantoni e Ítalo Fratezzi, os famosos Ninão e Bengala.
São mais de 20 jogos sem placares ou autores dos gols registrados, que não constam nem mesmo no fantastico trabalho do jornalista Henrique Ribeiro, no Almanaque do Cruzeiro 2007/2013. A esse levantamento somam-se os sete jogos do Campeonato Mineiro de 1926. A ausência dessas informações abre a possibilidade de que Ninão tenha, no mínimo, mais 20 gols com a camisa palestrina, enquanto Bengala poderia ter pelo menos mais 10.
Ninão estreou pelo clube em 1923. A existência de diversos jogos do período em que fazia parte do elenco palestrino aumenta a possibilidade de que tenha marcado entre 180 e 200 gols pelo Palestra. Nesse cenário, ficaria pouco abaixo de seu irmão, Niginho, maior artilheiro do Cruzeiro na chamada era pré-Mineirão e terceiro maior artilheiro da história do clube, atrás de Tostão e Dirceu Lopes.
Bengala, por sua vez, estreou em 1926. Segundo o almanaque e versões antigas do site do Cruzeiro, possui cerca de 170 a 172 gols. Entretanto, considerando os jogos do Campeonato Mineiro daquele ano, o atacante poderia ter alcançado entre 185 e 190 gols vestindo a camisa verde do Palestra.
Jogos do Campeonato Mineiro de 1926
Os placares registrados dos jogos do Campeonato Mineiro, pela AMET, são:
03/10/1926 Palestra 9 x 1 Fluminense
10/10/1926 Palestra 7 x 0 Avante
24/10/1926 Palestra 6 x 1 Minas
14/11/1926 Palestra 6 x 1 Olympic
09/01/1927 Palestra 10 x 1 Grêmio Ludopédio
Demais jogos com informações a serem investigadas
01/07/1923 Palestra 6 x 2 Palmeiras | Barro Preto
12/08/1923 Palestra x Atlético | Barro Preto
16/09/1923 Palestra x Sete | Barro Preto
07/10/1923 Palestra 7 x 4 Combinado-BH | Barro Preto
22/06/1924 Palestra 1 x 2 América | Campo América
21/09/1924 Palestra 3 x 3 Industrial-JF | Juiz de Fora
28/09/1924 Palestra 3 x 0 Sete | Campo América
07/12/1924 Palestra x Yale | Campo América
05/04/1925 Palestra 2 x 1 Sete | Campo América
20/10/1925 Palestra 5 x 3 Atlético | Barro Preto
12/10/1925 Palestra 2 x 0 Palmeiras | Barro Preto
02/05/1926 Palestra 1 x 2 Caçapavense | Caçapava-SP
03/05/1926 Palestra 1 x 1 Seleção de Caçapava | Caçapava-SP
19/09/1926 Palestra 3 x 3 Combinado Paulista | Barro Preto
10/10/1926 Palestra x Avante | Barro Preto
02/01/1927 Palestra x Motorista | Barro Preto
20/02/1927 Palestra 9 x 2 Fluminense | Barro Preto
05/06/1927 Palestra 9 x 1 Sete | Barro Preto
12/06/1927 Palestra 3 x 0 Guarany | Barro Preto
03/07/1927 Palestra 1 x 1 Calafate | Barro Preto
24/07/1927 Palestra 7 x 0 Alves Nogueira | Barro Preto
31/07/1927 Palestra 0 x 3 Villa Nova | Bonfim, Nova Lima
07/08/1927 Palestra 3 x 2 Palmeiras | Barro Preto
04/09/1927 Palestra 4 x 6 América | Barro Preto
Conhecendo o potencial ofensivo da dupla e o que Ninão e Bengala fizeram durante o tricampeonato de 1928, 1929 e 1930, não é impossível considerar a hipótese de que ambos tenham sido responsáveis por uma parcela significativa dos gols marcados nos jogos cujas informações permanecem incompletas.

A pesquisa, portanto, ainda está em andamento. Até que novos registros sejam encontrados e os autores dos gols possam ser identificados, os números permanecem como uma possibilidade a ser investigada.
O que já se sabe é que a ausência desses registros pode esconder uma parte importante da história dos dois atacantes e, consequentemente, alterar a posição de Ninão e Bengala entre os maiores goleadores da história do Cruzeiro.



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