Gigante antes do Gigante
Antes do Mineirão, uma história de grandeza
A relação entre Cruzeiro e Mineirão é uma das mais marcantes entre um clube e um estádio na história do futebol. Ao longo dos anos, foram construídos recordes, protagonizados feitos históricos e celebradas conquistas que ajudaram a transformar essa relação em uma das mais emblemáticas do futebol.

Mas, antes de existir o gigante da Pampulha, o time estrelado já escrevia suas páginas heroicas e imortais.
Alguns fatos ajudam a explicar por que o Cruzeiro está entre os poucos clubes que já nasceram grandes.
O Palestra foi o segundo clube da capital a possuir estádio próprio. A conquista aconteceu ainda em 1923, apenas dois anos após sua fundação.
Mesmo estreando somente na 7ª edição do Campeonato Mineiro, devido à sua fundação em 1921, o Palestra rapidamente passou a ocupar um lugar de destaque no futebol estadual. Entre 1928 e 1930, conquistou três campeonatos consecutivos, tornando-se o segundo clube a alcançar essa marca.
O clube também estabeleceu, em 1928, a marca do maior ataque da história do Campeonato Mineiro. O feito foi alcançado quando o Palestra tinha apenas sete anos de existência.
Outro marco de enorme relevância aconteceu com a transferência dos jogadores Ninão e Nininho, Giovanni Fantoni e Otávio Fantoni, respectivamente, para a Europa. Em 1931, o Palestra levou seu nome ao Velho Continente e tornou-se o primeiro clube brasileiro a realizar tal façanha, abrindo portas para que outros clubes brasileiros também realizassem transferências internacionais e projetassem o futebol nacional mundo afora.
O clássico Em 1934 o confronto entre Palestra e Atlético foi o primeiro a receber oficialmente a alcunha de “Clássico”, conforme registro publicado pela Folha de Minas na edição de 27 de novembro daquele ano.
Curiosamente, o termo “Clássico” somente seria utilizado para Atlético x América dois anos mais tarde, pelo Estado de Minas, na edição de 23 de agosto de 1936.
Também em 1934, a Folha de Minas publicou dados referentes à média de público e renda do campeonato, apontando o Palestra como a segunda maior bilheteria da competição. A maior arrecadação daquele campeonato ocorreu justamente no confronto entre Palestra e Atlético, mesmo com o Palestra ocupando as últimas posições da tabela e sem conquistar o campeonato desde 1930.

Em 1936, Niginho foi convocado para a Seleção Brasileira, tornando-se o primeiro jogador a integrar a equipe nacional vindo diretamente de um clube mineiro, o Palestra. Niginho também marcou o gol da vitória do Brasil sobre o Peru, fazendo do Cruzeiro o primeiro clube mineiro a ter um jogador marcando gol pela Seleção Brasileira.
Em 1945, o Cruzeiro reformou e reinaugurou seu estádio, que passou a ser o maior de Minas Gerais até então, com capacidade para 25 mil espectadores. O estádio recebeu o nome de JK, em homenagem a Juscelino Kubitschek, torcedor ilustre do clube, que anos mais tarde se tornaria presidente da República.
Entre os poucos registros de público e renda da chamada “Era Pré-Mineirão”, o Cruzeiro destacou-se, em 1945, como o clube de maior média de público e arrecadação. Naquele ano, em que se sagrou campeão, o clube arrecadou Cr$ 260.000,00, quase metade da renda total do campeonato, que foi de aproximadamente Cr$ 600.000,00.
Com base nos registros disponíveis, o Cruzeiro esteve consistentemente entre o primeiro e o segundo lugares no ranking de rendas do futebol mineiro.
A convocação de Juvenal para a Seleção Brasileira, em 1945, consolidou o Cruzeiro como o clube mineiro com o maior número de jogadores convocados para a seleção até aquele momento.
Em 1941, Niginho foi novamente convocado, mas, por estar lesionado, não pôde participar. Na mesma ocasião, Nogueirinha também foi chamado, mas o jogo da seleção acabou não sendo realizado.
Em 1960, o clássico entre Cruzeiro e Atlético foi realizado em Brasília, a nova capital do país. Na ocasião, o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, recebeu as faixas dos campeões mineiros.
É fato que o Cruzeiro não foi o maior campeão estadual no período que antecedeu a construção do Mineirão. Ainda assim, acumulou feitos grandiosos e conquistas relevantes, mesmo sendo um clube que não realizava grandes contratações e priorizava, majoritariamente, atletas formados em sua base ou provenientes de clubes menores.
Foram, ao todo, 13 títulos mineiros, incluindo o título de 1965, cuja disputa teve início antes da inauguração do Mineirão, com alguns jogos ainda realizados no estádio Independência.
Além das conquistas estaduais, o clube protagonizou vitórias expressivas diante de grandes equipes nacionais e internacionais, como América do Rio, Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, Palmeiras, Grêmio e Rosário Central, da Argentina.
Jogos antes da construção do Mineirão
Até setembro de 1965
Cruzeiro x Flamengo
4 vitórias do Cruzeiro
3 vitórias do Flamengo
1 empate
Cruzeiro x Botafogo
3 vitórias do Cruzeiro
2 vitórias do Botafogo
2 empates
Cruzeiro x Vasco
10 vitórias do Vasco
4 vitórias do Cruzeiro
2 empates
Cruzeiro x Fluminense
6 vitórias do Fluminense
2 vitórias do Cruzeiro
3 empates
Os Clubes Cariocas formavam a base da seleção.
Cruzeiro x Grêmio
1 vitória do Cruzeiro
Cruzeiro x Internacional
1 vitória do Internacional
1 empate
Cruzeiro x Santos
4 vitórias do Santos
Cruzeiro x Palmeiras
3 vitórias do Palmeiras
1 vitória do Cruzeiro
Cruzeiro x Corinthians
3 vitórias do Corinthians
Cruzeiro x São Paulo
2 vitórias do São Paulo
Cruzeiro x Sport
2 empates
Cruzeiro x Vitória 2 vitórias do Cruzeiro
1 vitória do Vitória
1 empate
Cruzeiro x Bahia
3 vitórias do Bahia
2 empates (Todos os jogos foram disputados na Bahia).
Jogos contra clubes da América do Sul nesse período
Cruzeiro x Libertad
1 empate
Cruzeiro x Rosário Central
1 vitória do Cruzeiro



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