90 anos servindo a seleção
De Niginho a Otávio, há quase um século fornecendo talentos à Seleção

Fundado em 1921, o Cruzeiro foi o primeiro clube mineiro a ter um jogador servindo à Seleção Brasileira e também a marcar um gol com a camisa do Brasil, sendo ainda um dos primeiros clubes fora do eixo Rio-São Paulo a alcançar esse feito.
A primeira convocação veio em 1936, quando Leonízio Fantoni, o inesquecível Niginho, foi chamado para defender a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano disputado na Argentina. Vestindo a camisa do Palestra Itália de Minas, o atacante passou a integrar uma delegação formada por nomes dos grandes clubes cariocas e paulistas, colocando o futebol mineiro nesse cenário. Naquele tempo, a Seleção Brasileira ainda entrava em campo vestindo branco.

Daquele ano em diante, o Cruzeiro teve dezenas de jogadores convocados, totalizando, de acordo com os arquivos pesquisados, 71 convocações.
E houve ainda alguns casos especiais, de jogadores que foram convocados, mas que não chegaram a atuar, seja porque a partida não aconteceu, seja porque acabaram cortados da delegação.
É o caso, por exemplo, do próprio Niginho, em 1940, quando se lesionou; de Nogueirinha, em 1941, quando o jogo acabou não acontecendo; de Juvenal, em 1945, cortado da delegação; e de Rossi, em 1961, quando a partida foi cancelada.
Considerando a primeira convocação de cada jogador, a lista elaborada com base nos arquivos pesquisados é a seguinte:
Niginho - 1936
Nogueirinha - 1941 (jogo cancelado)
Juvenal - 1945 (cortado)
Rossi - 1961 (jogo cancelado)
Massinha - 1963
Geraldino - 1963
Tostão - 1966
Dirceu Lopes - 1967
Piazza - 1967
Natal - 1967
Hilton Oliveira - 1967
Raul Plasmann - 1968
Pedro Paulo - 1968
Procópio - 1968
Zé Carlos - 1968
Evaldo - 1968
Rodrigues - 1968
Fontana - 1970
Brito - 1970
Palhinha - 1973
Nelinho - 1974
Roberto Batata - 1975
Joãozinho - 1975
Jairzinho - 1976
Eduardo Amorim - 1977
Geraldão - 1987
Douglas - 1987
Ademir - 1988
Careca - 1988
Paulão - 1990
Adilson Batista - 1990
Charles - 1991
Balu - 1991
Renato Gaúcho - 1992
Nonato - 1993
Boiadeiro - 1993
Ronaldo Fenômeno - 1994
Dida - 1995
Ricardinho - 1996
Gonçalves - 1997
Bebeto - 1997
Muller - 1998
Fábio Júnior - 1998
Evanilson - 1998
Djair - 1999
João Carlos - 1999
Marcos Paulo - 1999
Cléber - 2000
Donizete Oliveira - 2000
Cris - 2001
Luisão - 2001
Edilson Capetinha - 2002
Maurinho - 2003
Alex - 2003
Gomes - 2003
Maicon - 2003
Edu Dracena - 2003
Fred - 2005
Fábio - 2006
Ramires - 2009
Gilberto - 2010
Henrique - 2011
Dedé - 2013
Everton Ribeiro - 2014
Ricardo Goulart - 2014
Brazão - 2018
William - 2023
Matheus Pereira - 2024
Fabricio Bruno - 2025
Kaio Jorge - 2025
Otávio - 2026
São 71 jogadores relacionados ao longo desse levantamento, com destaque para Piazza, com 117 jogos pela Seleção Brasileira; Tostão, com 111 jogos enquanto jogador do Cruzeiro; e Nelinho, com 49 partidas, como os cruzeirenses que mais atuaram pelo Brasil.

No caso de Tostão, o número considera exclusivamente as partidas disputadas pela Seleção durante o período em que defendia o Cruzeiro, já que o jogador também teve outras convocações posteriormente, quando atuava pelo Vasco.
E essa relação não conta toda a história da proximidade entre o Cruzeiro e a Seleção Brasileira. Há também todas as vezes em que o Brasil realizou períodos de preparação na Toca da Raposa, inclusive antes mesmo de sua inauguração, além dos jogos-treino realizados no antigo campo do JK, no Barro Preto. Em 1963, por exemplo, a Seleção enfrentou o Cruzeiro e empatou por 1 a 1.
São quase nove décadas de uma história construída entre o Cruzeiro e a Seleção Brasileira. De Niginho a Otávio, passando por gerações de craques que vestiram a camisa azul e, depois, o uniforme do Brasil, o clube escreveu sua trajetória também na história do futebol brasileiro.

Tudo começou em 1936, quando Niginho, então jogador do Palestra Itália, vestiu o verde do clube e levou seu futebol à Seleção Brasileira. De lá para cá, tantos outros jogadores seguiram o mesmo caminho, atravessando diferentes gerações, nomes e camisas, do Palestra Itália ao Cruzeiro.
De Niginho a Otávio, uma trajetória construída ao longo de nove décadas e que fez do clube mineiro uma presença recorrente na história da Seleção Brasileira, um pouco menor do que deveria, ainda sim, uma bela história.



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