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90 anos servindo a seleção

19 de set.
3 min de leitura

De Niginho a Otávio, há quase um século fornecendo talentos à Seleção


Reprodução - Tripé Histórico do Cruzeiro formado por Dirceu Lopes, Piazza e Tostão
Reprodução - Tripé Histórico do Cruzeiro formado por Dirceu Lopes, Piazza e Tostão

Fundado em 1921, o Cruzeiro foi o primeiro clube mineiro a ter um jogador servindo à Seleção Brasileira e também a marcar um gol com a camisa do Brasil, sendo ainda um dos primeiros clubes fora do eixo Rio-São Paulo a alcançar esse feito.


A primeira convocação veio em 1936, quando Leonízio Fantoni, o inesquecível Niginho, foi chamado para defender a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano disputado na Argentina. Vestindo a camisa do Palestra Itália de Minas, o atacante passou a integrar uma delegação formada por nomes dos grandes clubes cariocas e paulistas, colocando o futebol mineiro nesse cenário. Naquele tempo, a Seleção Brasileira ainda entrava em campo vestindo branco.


Elenco da Seleção Brasileira que disutou o Sul-Americano de 1936-1937 - Niginho em destaque                        Foto: Arquivo Nacional - Parcialmente colorizada em Photoshop
Elenco da Seleção Brasileira que disutou o Sul-Americano de 1936-1937 - Niginho em destaque Foto: Arquivo Nacional - Parcialmente colorizada em Photoshop

Daquele ano em diante, o Cruzeiro teve dezenas de jogadores convocados, totalizando, de acordo com os arquivos pesquisados, 71 convocações.

E houve ainda alguns casos especiais, de jogadores que foram convocados, mas que não chegaram a atuar, seja porque a partida não aconteceu, seja porque acabaram cortados da delegação.


É o caso, por exemplo, do próprio Niginho, em 1940, quando se lesionou; de Nogueirinha, em 1941, quando o jogo acabou não acontecendo; de Juvenal, em 1945, cortado da delegação; e de Rossi, em 1961, quando a partida foi cancelada.


Considerando a primeira convocação de cada jogador, a lista elaborada com base nos arquivos pesquisados é a seguinte:


  1. Niginho - 1936

  2. Nogueirinha - 1941 (jogo cancelado)

  3. Juvenal - 1945 (cortado)

  4. Rossi - 1961 (jogo cancelado)

  5. Massinha - 1963

  6. Geraldino - 1963

  7. Tostão - 1966

  8. Dirceu Lopes - 1967

  9. Piazza - 1967

  10. Natal - 1967

  11. Hilton Oliveira - 1967

  12. Raul Plasmann - 1968

  13. Pedro Paulo - 1968

  14. Procópio - 1968

  15. Zé Carlos - 1968

  16. Evaldo - 1968

  17. Rodrigues - 1968

  18. Fontana - 1970

  19. Brito - 1970

  20. Palhinha - 1973

  21. Nelinho - 1974

  22. Roberto Batata - 1975

  23. Joãozinho - 1975

  24. Jairzinho - 1976

  25. Eduardo Amorim - 1977

  26. Geraldão - 1987

  27. Douglas - 1987

  28. Ademir - 1988

  29. Careca - 1988

  30. Paulão - 1990

  31. Adilson Batista - 1990

  32. Charles - 1991

  33. Balu - 1991

  34. Renato Gaúcho - 1992

  35. Nonato - 1993

  36. Boiadeiro - 1993

  37. Ronaldo Fenômeno - 1994

  38. Dida - 1995

  39. Ricardinho - 1996

  40. Gonçalves - 1997

  41. Bebeto - 1997

  42. Muller - 1998

  43. Fábio Júnior - 1998

  44. Evanilson - 1998

  45. Djair - 1999

  46. João Carlos - 1999

  47. Marcos Paulo - 1999

  48. Cléber - 2000

  49. Donizete Oliveira - 2000

  50. Cris - 2001

  51. Luisão - 2001

  52. Edilson Capetinha - 2002

  53. Maurinho - 2003

  54. Alex - 2003

  55. Gomes - 2003

  56. Maicon - 2003

  57. Edu Dracena - 2003

  58. Fred - 2005

  59. Fábio - 2006

  60. Ramires - 2009

  61. Gilberto - 2010

  62. Henrique - 2011

  63. Dedé - 2013

  64. Everton Ribeiro - 2014

  65. Ricardo Goulart - 2014

  66. Brazão - 2018

  67. William - 2023

  68. Matheus Pereira - 2024

  69. Fabricio Bruno - 2025

  70. Kaio Jorge - 2025

  71. Otávio - 2026


São 71 jogadores relacionados ao longo desse levantamento, com destaque para Piazza, com 117 jogos pela Seleção Brasileira; Tostão, com 111 jogos enquanto jogador do Cruzeiro; e Nelinho, com 49 partidas, como os cruzeirenses que mais atuaram pelo Brasil.


Tostão 1970 - Foto: Acervo CBF
Tostão 1970 - Foto: Acervo CBF

No caso de Tostão, o número considera exclusivamente as partidas disputadas pela Seleção durante o período em que defendia o Cruzeiro, já que o jogador também teve outras convocações posteriormente, quando atuava pelo Vasco.


E essa relação não conta toda a história da proximidade entre o Cruzeiro e a Seleção Brasileira. Há também todas as vezes em que o Brasil realizou períodos de preparação na Toca da Raposa, inclusive antes mesmo de sua inauguração, além dos jogos-treino realizados no antigo campo do JK, no Barro Preto. Em 1963, por exemplo, a Seleção enfrentou o Cruzeiro e empatou por 1 a 1.


São quase nove décadas de uma história construída entre o Cruzeiro e a Seleção Brasileira. De Niginho a Otávio, passando por gerações de craques que vestiram a camisa azul e, depois, o uniforme do Brasil, o clube escreveu sua trajetória também na história do futebol brasileiro.



Tudo começou em 1936, quando Niginho, então jogador do Palestra Itália, vestiu o verde do clube e levou seu futebol à Seleção Brasileira. De lá para cá, tantos outros jogadores seguiram o mesmo caminho, atravessando diferentes gerações, nomes e camisas, do Palestra Itália ao Cruzeiro.


De Niginho a Otávio, uma trajetória construída ao longo de nove décadas e que fez do clube mineiro uma presença recorrente na história da Seleção Brasileira, um pouco menor do que deveria, ainda sim, uma bela história.

 
 
 

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© produzido por Romero Marconi

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